Desde o ano 2000, 202 jornalistas, blogueiros, comunicadores sociais e colaboradores da mídia foram assassinados nesses quatro países, por motivos comprovada ou provavelmente relacionados com suas atividades profissionais. Na maioria das vezes, a motivação exata do crime não foi ainda determinada. Quando são iniciadas, as investigações marcam passo e são frequentemente entravadas pela corrupção das autoridades.

Os jornalistas são vítimas de sua vontade de denunciar a ingerência política, as violações dos direitos humanos, o crime organizado e a corrupção.

O México, primeiro dessa lista negra, se destaca por ser o país mais mortífero para os jornalistas do conjunto da América Latina, com 81 jornalistas assassinados entre janeiro de 2000 e setembro de 2014. A Colômbia chega em segundo lugar, com 56 vítimas, seguida do Brasil, onde 38 jornalistas foram assassinados durante o mesmo período. Por fim, as Honduras assistiram a um vertiginoso aumento no número de jornalistas mortos desde o golpe de Estado de 28 de janeiro de 2009, atingindo um total de 27 assassinatos. Em muitos casos, os jornalistas são vítimas de sua vontade de denunciar a ingerência política, as violações dos direitos humanos, o crime organizado e a corrupção. A quase totalidade desses crimes permanecem impunes, devido à ausência de vontade política e a um sistema judicial ineficaz. Estas cifras são ainda mais inquietantes pelo fato de nenhum desses países se encontrar oficialmente em guerra, apesar da presença contínua de paramilitares na Colômbia e da ofensiva federal contra os cartéis da droga no México durante a presidência de Felipe Calderón.

Fonte: Repórteres Sem Fronteiras

Os países mais mortíferos da América Latina para os jornalistas Desde o ano 2000, 202 jornalistas, blogueiros, comunicadores sociais e colaboradores da mídia foram assassinados nesses quatro países, por motivos comprovada ou provavelmente relacionados com suas atividades profissionais.

Guia de Cinema - Porto Alegre [25/ 09]

Guia de Cinema – Porto Alegre [25/ 09]

Filme em destaque: Sin City: A dama fatal

Sinopse: Após a morte de John Hartigan (Bruce Willis), Nancy Callahan (Jessica Alba) só pensa em vingança. Ela passa suas noites dançando no mesmo bar, mas agora na companhia de uma garrafa de bebida, enquanto toma coragem para enfrentar o poderoso Senador Roark (Powers Boothe). Ao mesmo…

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A palestra A publicidade que o Brasileiro ama, no terceiro dia do 27° SET Universitário, da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS, ocorreu de forma descontraída e bem humorada, sob o comando de João Livi, profissional mundialmente conhecido por suas campanhas publicitárias.

“Ter ideias é saber mostrar que muita coisa mudou, porém muitas nem tanto”, explicou Livi. O público brasileiro gosta de propagandas simples. “Precisam transmitir ideias claras e não maluquinhas. Há muitas inovações que escondem ideias ótimas por trás de campanhas publicitárias engraçadas”, afirmou.

Durante a palestra, Livi propôs um exercício à plateia, uma “nuvem de ideias”. O público teria que adivinhar quantas propagandas contidas na nuvem receberam o Prêmio de Cannes. Foram muitas as tentativas de acerto. Porém, das 15 propagandas, seis receberam o Prêmio: Bombril, mil e uma utilidades, Não é uma Brastemp, É Tipo Net?, Upalalê, para Santander, Rugby, Isso ainda vai ser grande no Brasil e Pergunta lá no Posto Ipiranga. Livi comparou as nomenclaturas dos festivais estrangeiros com os brasileiros, “Aqui parece ter uma linguagem diferente”, afirmou.

Livi disse que é muito gratificante receber prêmios. “Adoro ganhá-los. Você recebe pelo conjunto da obra”. Empenho e amor pelo que faz parecem ser a grande chave do sucesso do publicitário. “Mas muito mais legal é fazer propagandas que todos conheçam”. Algumas delas foram exibidas no SET Universitário. Com muito bom humor e emoção, explicou qual o intuito de cada uma. “Vem pra rua” foi uma das campanhas que gerou muito impacto por veicular 15 dias antes das manifestações. Os bordões criados pelas marcas transmitem diversos sentimentos ao público. “Deve haver técnica e jeito”, ensinou.

Para finalizar, o publicitário deixou claro que as ferramentas se multiplicam, as possibilidades estão em todos os lugares e tudo começa a partir de uma diálogo. As dicas para um trabalho bem sucedido são conhecer o publico alvo e entender pelo que o Brasil realmente é apaixonado. “Foram as chaves dos 20 cases que contam a história brasileira”, concluiu.

Veja a Palestra:

Gabriela Moraes – Site Oficial do SET Universitário
Foto: Pedro Scott/ Famecos/ PUCRS

Jeitinho brasileiro de entender a publicidade A palestra A publicidade que o Brasileiro ama, no terceiro dia do 27° SET Universitário, da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS, ocorreu de forma descontraída e bem humorada, sob o comando de João Livi, profissional mundialmente conhecido por suas campanhas publicitárias.

Na manhã desta quarta-feira (24), o 27º SET Universitário recebeu, em uma de suas palestras de encerramento, o jornalista Carlos Kober e a representante da Ipiranga Vânia Paes Barreto Marcondes. Ministrada pela professora de Relações Públicas da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) Souvenir Dornelles, a palestra Comunicação Inovadora, a chave de um bom relacionamento – o caso Ipiranga, tratou do desenvolvimento de um bom comunicador e da comunicação interna da empresa.

De uma forma interativa e divertida, Kober começou com a criação do SET Universitário, da qual ele fez parte. Contou que o SET surgiu a partir da ideia de expor para as pessoas de fora o que era produzido dentro da faculdade. SET, ao contrário do que muitos imaginam, não remete a setembro, ou a sete dias, apesar de essa ser a duração do evento quando foi criado. O verdadeiro significado é ”set de gravações”, fazendo ligação direta, e um trocadilho inteligente, com produção dos universitários. Kober explicou que a proposta de criar o evento foi recebida com certa estranheza no início, como qualquer ideia inovadora. “O que há 27 anos ocorre? O que faz vocês largarem tudo para estarem aqui? A Inquietação. O conhecimento”, disse, reafirmando a ideia de que o bom comunicador precisa ser inquieto.

Bem humorado, o palestrante criticou a padronização da televisão nacional, da falta de inovação. O telespectador, segundo ele, assiste à mesma notícia em diferentes canais. Isso é consequência de uma acomodação dos comunicadores, os quais ele chama de “comunicador batatinha quando nasce”. Kober comparou a inovação com o nascimento. Quando nasce, o bebê sai da zona de conforto, deixa o útero da mãe. A metáfora usada ilustra o surgimento de algo invador. Ao crescer, continuou Kober, essa criança é cercada por todos os lados de proibições, que se igualam à censura que recebe toda vez que tenta fazer algo diferente. “O que é ser diferente? Colocar uma melancia no pescoço e sair gritando ‘viva o Brasil’? Com certeza é diferente. Mas é eficaz?”, brincou, acrescentando que toda pessoa é criativa e que a criatividade é um exercício permanente. “Criatividade tem hora? Não. Tem momento? Não”.

Vânia, Coordenadora de Programas de Incentivo e Relacionamento VIP, apresentou à plateia a evolução da marca Ipiranga. De como passou de posto para varejo e, depois, para estabelecimento de multiserviços. A empresa tem uma conexão muito forte com os seus consumidores. Segundo Vânia, isso se dá porque “o brasileiro é apaixonado por carros, e era esse o nosso foco”. O projeto de um estabelecimento multiserviços é uma vantagem aos clientes. “Naquela paradinha da correria do dia a dia, ele pode resolver qualquer problema”, afirmou.

O foco nos funcionários começou depois de uma pesquisa feita em todo Brasil. O levantamento apontou que a maior parte deles tinha baixa autoestima por ser “apenas um frentista” ou trabalhar “só em um posto de gasolina”. Daí surgiu o Vendedor Ipiranga de Pista (VIP), uma alteração do cargo de funcionário para VIP, fazendo um trocadilho com o verdadeiro significado da sigla (very important person) para mostrar que a empresa depende muito de seus funcionários e que eles não devem se sentir menos importantes por causa do local onde trabalham. Mais uma vez brincalhão, Kober saiu pela plateia perguntando a todos o que achavam que significava “VIP”. A partir disso, diversas mudanças foram feitas, além da nomenclatura do cargo dos colaboradores, como uniformes e o portal criado apenas para os funcionários.

A partir dessa nova nomenclatura, surgiram diversas ferramentas direcionadas à comunicação interna. Todas elas incentivam o crescimento pessoal do VIP. E são extremamente variadas, vão de SMS a revistas, site exclusivo e TV. Um treinamento interativo também é oferecido. “A pessoa que está cansada de um dia de trabalho não quer sentar em uma cadeira desconfortável e assistir a uma apresentação de Power Point. Por isso, desenvolvemos um treinamento interativo. Neste ano, a qualificação ocorreu por meio de um jogo”, contou Vânia, lembrando que a companhia criou ainda a TV VIP, em 2008, cujo personagem principal é João do Posto. A porposta é fazer uma simulação do dia a dia na empresa. Carlos Kober foi escolhido para a parceria porque aplicou o que disse na teoria: apresentou o diferente. “Enquanto todas as outras empresas nos apresentaram o projeto no papel, Kober nos entregou o piloto no DVD”, contou Vânia.

A TV VIP começou com 700 espectadores, agora atinge 9 mil. A medição é feita pelo cadastramento do CPF dos funcionários ao acessarem o site exclusivo. O programa é transmitido sempresa às quartas-feiras. Ao vivo, o programa é em formato televisivo. Isso foi um grande desafio para a produção, já que todos os efeitos e falas precisam sair perfeitos já na primeira tentativa. “É uma insanidade”, diverte o palestrante.

O personagem único e principal, João do Posto ganhou grande popularidade, de acordo com os palestrantes o ator foi até reconhecido na rua diversas vezes. Mas aí surge a dúvida, porque foi escolhido esse nome para o personagem? “É para remeter ao João ninguém que agora é o João alguém. E porque TV? Porque é o que os funcionários conhecem, a realidade deles”, esclarece Kober. A empresa também dá para os seus funcionários prêmios exclusivos para cada meta atingida, e faz diversos concursos e sorteios

Para o encerramento da palestra, foi apresentada a premiação para os funcionários mais marcante que surgiu na história da empresa, o VIP Casa Nova. O concurso prometia uma reforma na casa com tudo incluso (móveis, eletrodomésticos etc) para o ganhador. Para participar era necessário mandar a sua história de vida através de uma carta. Cerca de mil histórias foram inscritas. O ganhador, Marcelino Sorriso, como era chamado carinhosamente, morava na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, e emocionou a comissão organizadora. Quando criança foi morador de rua e cedo começou a trabalhar. Logo comprou casa e constituiu família. Porém, a reforma da casa não seria possível devido à localização. Por isso, a Ipiranga mudou o prêmio. Em vez de reformar a casa de Marcelino, deu a ele um apartamento fora da favela.

Ágatha Pedotte – Site Oficial do SET Universitário
Fotos: Edissa Waldow/ Heike Knebel/ Famecos/ PUCRS

Do comunicador à comunicação interna Na manhã desta quarta-feira (24), o 27º SET Universitário recebeu, em uma de suas palestras de encerramento, o jornalista Carlos Kober e a representante da Ipiranga Vânia Paes Barreto Marcondes.

Nesta noite de terça-feira (23), o 27º SET Universitário ofereceu uma sessão de cinema aos alunos e convidados. O filme escolhido foi o documentário Mercado de Notícias, dirigido por Jorge Furtado e lançado em 2014, que mistura entrevistas com 13 grandes jornalistas brasileiros e cenas da peça cômica de Ben Jonson, da qual o filme herda o nome.

A alternância dos depoimentos com as cenas de comédia dá uma leveza ao documentário, que busca explicar conceitos tradicionais do jornalismo e explorar as diferentes opiniões de seus entrevistados. Além disso, Furtado usa este espaço para apresentar a verdade por trás de algumas notícias que causaram alvoroço nos últimos anos, como o caso da bolinha de papel que atingiu José Serra, na época candidato à presidência, e o suposto quadro de Pablo Picasso encontrado na sede do INSS em Brasília, que não passava de um pôster barato de museu.

O evento também contou com dois convidados ligados ao filme: Giba Assis Brasil, jornalista, professor e fundador da Casa de Cinema de Porto Alegre, que fez a montagem do documentário, e Geneton Moraes Neto, repórter e editor, que trabalhou em diversos veículos da imprensa nacional, é considerado um dos mais importantes jornalistas do Brasil e hoje é o principal nome da reportagem da GloboNews.

Geneton, que ministrou uma oficina do SET nesta tarde, brincou com a notícia do Picasso falso e apresentou ao publico a oração da Nossa Senhora do Perpetuo Espanto, padroeira dos jornalistas. Para ele, o jornalismo é uma das poucas profissões que tem uma definição muito simples: “Contar, da maneira mais fiel possível, o que você viu e ouviu”.

Apesar de algumas dificuldades técnicas com o DVD, o evento foi um sucesso. O público parecia muito entretido, dando risadas, batendo palmas nos momentos descontraídos e prestando atenção quando o assunto era mais sério. Vale também lembrar que a peça de Jonson, escrita em 1625, não é encenada na Inglaterra há 350 anos e foi traduzida para o português pela primeira vez pelo próprio Furtado.

Maria Eduarda Levy – Site Oficial do SET Universitário
Fotos: Edissa Waldow/ Heike Knebel/ Famecos/ PUCRS

Nosso instrumento de trabalho é o fato, o resto é floreio Nesta noite de terça-feira (23), o 27º SET Universitário ofereceu uma sessão de cinema aos alunos e convidados.

O jornalista Geneton Moraes Neto é o cara. Mostra isso em suas grandes reportagens na GloboNews. Mostrou isso na tarde desta terça-feira (22), ao ministrar a oficina Reportagem, a Essência do Jornalismo, no segundo dia do 27° SET Universitário, da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS.

A Arena, no segundo andar do prédio da Faculdade, estava lotada. “Primeiro, vou exibir um documentário que fiz sobre Joel Silveira”, avisou Geneton, sobre Garrafas ao Mar: a Víbora Manda Lembranças. Quando as luzes se apagaram, uma linda imagem aérea do Rio de Janeiro surgiu, emoldurada pela voz de Caetano Veloso cantando Cidade Maravilhosa.

Depois do documentário, Geneton defendeu a volta do jornalismo autoral, literário, típico de Joel Silveira. O filme mostra as histórias do velho jornalista, considerado o maior repórter brasileiro, e que foi correspondente durante a Segunda Guerra Mundial na Itália. Seus textos eram incomparáveis, pois traziam o leitor para dentro da história. Os textos de Silveira tinha vida. Tinham emoção. Para aproximar o personagem do documentário dos jovens estudantes, Geneton apresentou parte de uma reportagem de Silveira sobre uma fracassada tentativa de entrevistar Getúlio Vargas:

Era a primeira vez que eu via Vargas assim tão de perto. “Como é pequeno” – pensei, enquanto estirava a mão ao encontro da que ele me estendia – uma mão delicada, quase feminina, de unhas bem tratadas (…) Eu não queria emprego.Queria uma entrevista. Tirei o papel do bolso. “Gostaria que Vossa Excelência respondesse a algumas perguntas”. O homenzinho levantou-se, esmagou no cinzeiro de cristal o que restava do charuto e desapareceu por uma porta ao lado, que bateu com força. Nem ao menos me estirou a mão

Texto de Joel Silveira

Depois de muitos anos trabalhando no Jornal Nacional e no Fantástico, Geneton tornou-se repórter da GloboNews. Durante a oficina, contou histórias de sua vida como repórter. Incentivando os alunos a cometerem erros, pediu aos futuros jornalistas que não se acomodem. Para ele, os três pecados capitais do jornalismo são: 1) Exercer patrulhagem ideológica tanto de esquerda quanto de direita. “Ouvir o guerrilheiro é tão interessante quanto o general”; 2) Perder a capacidade de se espantar com as coisas. “Isso ocorre quando o jornalista acha que tudo que é extraordinário é ordinário”; 3) Fazer jornalismo para jornalistas. “O repórter acha que o público fica comparando jornal por jornal para ver quem publicou o que e com qual destaque”.

A principal crítica do repórter da GloboNews é com o formato dos textos atuais. “Está instalada a ditadura da objetividade. São textos chatos, anêmicos e todos iguais”, condenou. Deu exemplos de jornalistas que praticam o jornalismo autoral, como Gay Talese, que construiu o perfil do redator de obituário, Carl Bernestein, que, segundo Moraes Neto, realizou o sonho de qualquer jornalista ao derrubar um presidente, e Truman Capote, autor do clássico A Sangue Frio. Todos eles produziam textos simples e foi um dos aspectos exaltados por ele. “Não adianta se exibir com palavras difíceis. Para escrever bem é preciso simplicidade e clareza”, afirmou.

A relação de amizade de duas décadas entre Geneton e Joel Silveira proporcionou lições de jornalismo que podem ser conferidas no documentário, como a afirmação de que todo jornalista é chato e que a função dele é ver a banda passar e não fazer parte dela. A parceria rendeu dois livros: Hitler-Stalin, O Pacto Maldito e Nitro Glicerina Pura. O documentário termina triste, ao som de Frédéric Chopin.

Para terminar, Geneton fez uma provocação. Ao lembrar de uma frase que havia lido em muro na França, em maio de 1968, sugeriu: “E se a gente incendiasse a Sorbonne?”. A pergunta quer propor aos estudantes que se rebelem contra a mesmice das redações e da ditadura da objetividade.

Rafael TimmSite Oficial do SET Universitário
Fotos: Edissa Waldow/ Famecos/ PUCRS

“E se a gente incendiasse o jornalismo?” O jornalista Geneton Moraes Neto é o cara. Mostra isso em suas grandes reportagens na GloboNews. Mostrou isso na tarde desta terça-feira (22), ao ministrar a oficina Reportagem, a Essência do Jornalismo, no segundo dia do 27° SET Universitário, da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS.

Na manhã desta terça-feira (23), o 27º SET Universitário recebeu, no centro de eventos da PUCRS, a publicitária Sônia Haas, o jornalista Luiz Cláudio Cunha e o advogado Luan Cordeiro, abordando o tema O Brasil na rua: da Ditadura até as manifestações de 2013. O evento é promovido pela Faculdade de Comunicação Social (Famecos) e dedicado a todos os comunicadores do Brasil. A palestra que teve plateia lotada, foi mediada pelo professor do curso de Jornalismo da Famecos Vitor Necchi e deu início à um longo debate sobre os movimentos que desde a época da ditadura vêm transformando o país.

Sônia Haas, irmã do ex-guerrilheiro, médico e integrante do partido comunista do Brasil João Carlos Haas Sobrinho, vítima da ditadura, iniciou a conversa falando de sua história e sobre a busca de informações sobre o desaparecimento do irmão até então omitidas. “O que a juventude vê e ouve sobre o assunto ditadura é uma coisa muito nova. Vivenciar este período é totalmente diferente. E se algumas pessoas não corressem atrás para saber a verdade, hoje, a comissão da verdade não existiria”. A publicitária enfatizou a atitude em todos os momentos da vida. “A nossa luta é em busca da verdade e das respostas esclarecidas, é o nosso direito. É cansativo? Sim, mas vamos sempre lutar”, conclui a publicitária.

De 1964 para 2013, muita coisa mudou. Mas as ruas continuam sendo palco de manifestações em busca de melhores condições de vida e liberdade. A diferença é que a grande mídia teve papel essencial e contraditório na visão geral do movimento que havia se iniciado. Luan Cordeiro, advogado formado em 2013, revela a falta de fé que teve em relação aos jornalistas e a insegurança que sentia ao dar uma entrevista para a imprensa, nos manifestos que ocorreram no ano passado. ”Se falasse A, eles publicavam C. Eu estive nas ruas e não vi o que era passado pela televisão, aquelas imagens de guerra”. A parcialidade é questionada pelo advogado que vê como essencial os movimentos de rua e admite ter “tomado rumo” em sua carreira após ter vivenciado as manifestações de 2013. “Acreditem no potencial de vocês, podemos, sim, mudar nossa realidade. A mensagem das ruas é essa. Vimos o Brasil parar. Porto Alegre teve um papel importantíssimo nisso, a juventude acordou e redescobriu seu papel.” Para os comunicadores, Luan pede que sempre lutem por aquilo que acreditam e que tenham coragem de fazer escolhas.

Para finalizar, o jornalista Luiz Cláudio Cunha abordou o tema ditadura e manifestações de 2013 questionando o verdadeiro papel da polícia e a nova cara das manifestações de rua, que estão se mostrando cada vez mais agressivas e menos democráticas. “Todas as pessoas que participaram dos movimentos pintavam a cara, mas não usavam máscaras. Lamento muito que essa trajetória bonita do povo na rua, vinda da ditadura, e que resistiu até o movimento do ano passado, virou nada, por culpa de “imbecis”. Mesmo questionado por Vitor Necchi sobre o uso de máscaras ser uma forma de proteção para os manifestantes, Cunha se manteve firme em sua posição dizendo não conversar com mascarados, mas com pessoas. “Não se constrói democracia com máscara na cara, protegidos pelo anonimato”.

Link recomendado: Histórias para Lembrar

Veja a palestra completa:

Vanessa Carvalho –  Site Oficial do SET Universitário
Fotos: Maia Rubim/ Famecos/ PUCRS

SET debate ditadura e movimentos de 2013 Na manhã desta terça-feira (23), o 27º SET Universitário recebeu, no centro de eventos da PUCRS, a publicitária Sônia Haas, o jornalista Luiz Cláudio Cunha e o advogado Luan Cordeiro, abordando o tema O Brasil na rua: da Ditadura até as manifestações de 2013.

Que Brasil é esse que construímos? não é uma pergunta, mas uma afirmação, segundo o organizador do 27° SET Universiário, professor Fábian Chellkanoff. A palestra inaugurou oficialmente o evento no noite desta segunda-feira (22). Ela foi ministrada por Eduardo Lyra, jornalista, empreendedor social, escritor e fundador do projeto Gerando Falcões, Celso Athayde, autodidata, fundador da Central Única de Favelas (CUFA), além de criador três best sellers, como Falcão, Meninos do Tráfico, e Renato Meirelles, presidente do grupo de pesquisas Data Popular. Ocorreu também o lançamento do livro Um País Chamado Favela, de Meirelles e Athayde.

Eduardo Lyra, com sua fala em ritmo frenético, quase como se fosse uma metralhadora disparando lições de vida, foi o primeiro a discursar. Para o jornalista, acostumado a falar para jovens que não têm as oportunidades necessárias para construir um futuro melhor, o seu primeiro aprendizado é que não é possível escolher onde você vai nascer. Nem se será negro. Branco. Gordo ou magro. “Não importa de onde você vem, mas para onde você vai”, afirma Lyra. Ele fala que se tornou aquilo que a sociedade não imaginava que ele poderia ser e o que importa é a força que cada um tem dentro de si. Lyra, com sua história de superação, conseguiu modificar o ditado para pau que nasce torto não está sentenciado.

O Brasil emergente foi o tema do discurso de Renato Meirelles. O presidente do Data Popular demonstrou com números como a classe média brasileira está mudando para melhor. Segundo os dados, essa classe é 89% mais rica que a média mundial, 76% dos moradores de favelas afirmam que a vida está mudando positivamente e que 94% dos moradores de comunidades são felizes. Com bastante humor e ironias, Meirelles fez críticas à elite brasileira que, segundo pesquisas, a própria não se reconhece como tal. O preconceito com pessoas que vivem em favelas também foi abordado pelo palestrante. “Em redação jornalística, a notícia boa é chamada comunidade. E a ruim é favela”, condena Meirelles.

Celso Athayde encerrou a primeira palestra do SET mostrando o seu trabalho na CUFA. Começou falando da sua infância difícil no Rio de Janeiro, com os pais alcóolotras. Brigas eram constantes em casa até que sua mãe levou Athayde e seus irmãos para morar em um viaduto. Foram seis anos passando fome e vivendo de pequenos furtos. Mas ele, como Lyra, conseguiu inverter a lógica e ascender na vida. Athayde sempre atuou como empreendedor e hoje, na CUFA, desenvolve projetos sociais que ajudam os moradores das favelas neste aspecto. “O modelo social adequado não é aquele que todos são ricos, mas que todos têm oportunidades”, analisa Athayde. O projeto está presente em 27 estados e 17 países, além de auxiliar 240 favelas no Rio de Janeiro. Um dos empreendimentos apresentados foi o Holding Favela, um conjunto de empresas que busca o desenvolvimento da comunidade e seus moradores.

Rafael TimmSite Oficial do SET Universitário
Fotos: Pedro Scott/ Edissa Waldow/ Eu Sou famecos – PUCRS

Retratos de um Brasil em evolução Que Brasil é esse que construímos? não é uma pergunta, mas uma afirmação, segundo o organizador do 27° SET Universiário, professor Fábian Chellkanoff.

Alzheimer: mais de 35 milhões de pessoas sofrem com demência, número que triplicará até 2050, diz ONU

Alzheimer: mais de 35 milhões de pessoas sofrem com demência, número que triplicará até 2050, diz ONU

Como parte das iniciativas do Dia Mundial do Alzheimer, celebrado anualmente em todo o mundo no dia 21 de setembro, a especialista independente das Nações Unidas sobre o os direitos humanos das pessoas idosas, Rosa Kornfeld-Matte, pediu uma ação concertada para garantir que as pessoas mais velhas, que sofrem da doença de Alzheimer ou outras formas de demência, possam usufruir plenamente dos seus…

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É proibido vaiar

Chegamos a esse ponto no futebol brasileiro. Torcedores gremistas foram criticados por vaiarem o goleiro Mário Lúcio, do Santos. O arqueiro e a imprensa do centro do país atribuíram as vaias com a atitude de Mário de denunciar as injúrias raciais que sofreu no último confronto entre as duas equipes, ignorando outros pontos daquela infelicidade.

Embora tenha provocado a torcida do Grêmio naquele…

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Guia de Cinema - Porto Alegre [18/ 09]

Guia de Cinema – Porto Alegre [18/ 09]

Filme em destaque: O doador de memórias

Sinopse: Uma pequena comunidade vive em um mundo aparentemente ideal, sem doenças nem guerras, mas também sem sentimentos. Uma pessoa é encarregada a armazenar estas memórias, de forma a poupar os demais habitantes do sofrimento e também guiá-los com sua sabedoria. De tempos em tempos esta…

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As crianças não fogem, elas são levadas

As crianças não fogem, elas são levadas

por Oscar Martinez e Jimmy Alvarado | Agência Pública

O Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos deteve 56.557 crianças desacompanhadas, a maioria da América Central, cruzando a fronteira entre os Estados Unidos e o México entre outubro de 2013 e junho deste ano, quando o presidente Obama reconheceu a crise e pediu ao Congresso a aprovação de um fundo de emergência de 3,7…

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